Phoenix Simulation Software - Airbus 330/340
Desde que a Phoenix Simulation Software se estreou no mercado de add-ons para o Flight Simulator com o B777-200 para o FS2000, percorreu um longo caminho. Agora, sucedendo o grande sucesso que foi o pacote Airbus A319/320/321 que produziu para o FS2002, a Phoenix brinda-nos com a continuação do lançamento das famílias da Airbus, desta vez do A330/340 na sua versão FS2002 e FS2004. O AirSim decidiu investigar se este pacote está à altura da sua versão real... O A330 e o A340 estão disponíveis em dois pacotes separados com as seguintes características:
O preço para o pacote do A330 são 15£ (aproximadamente 21€) enquanto que, o pacote A340 fica-se pelas 10£ (cerca de 14€). Cada livery (e são muitas...lista completa aqui) custa 7£ (10€). Interessante é a possibilidade de comprar ambos os pacotes + 5 pinturas diferentes por umas módicas 30£ (43€...). Instalação e Documentação...
Como já é hábito, a PSS utiliza um sistema francamente eficaz para combater a pirataria. Assim sendo, após o registo no site e respectiva compra do pacote, são apresentados para download 4 ficheiros instaladores que no seu conjunto vão funcionar como o sistema de instalação, acedendo aos servidores da companhia, após a inserção do username e password, fazendo o download dos ficheiros desejados (aeronaves, pinturas, packs de som desejados, etc) e instalando-os de imediato no Flight Simulator. Na nossa experiência não tivemos quaisquer problemas nesta matéria, embora alguns utilizadores, especialmente os que não estão munidos de uma ligação de banda larga, tenham reportado alguns problemas já que não conseguiam acabar o download à 1ª, com alguns ficheiros a ficarem simplesmente parados a determinada altura do download. Problemas esses que acabariam por, eventualmente, ser resolvidos. Quanto à documentação, podemos afirmar convictamente que, após um pequeno interregno com os manuais do Dash cuja qualidade não era o seu ponto forte, a PSS aparece novamente com versões em .pdf bastante completas e bem ilustradas, tal como sucedia no pacote Airbus A319/320/321. São 3 documentos em pdf cujo download é gratuito, bastando para tal, o utilizador estar registado no site da Phoenix, cobrindo todos os sistemas do Airbus 330 e 340 e incluindo tabelas com as velocidades V, sobre a performance nas determinadas fases do voo e ainda as vitais checklists. Resumindo, neste campo, a PSS continua a dar cartas. As Aeronaves... Como as aeronaves são substancialmente idênticas, nesta revisão só as iremos analisar separadamente quando realmente for necessário. Desta forma, todas as aeronaves do pacote incluem "full moving parts", ou seja, tudo o que está feito para mexer...mexe-se. Desde os ailerons, flaps, fans dos motores, portas,etc... Nada de novo neste campo, embora a animação do trem a recolher apareça um pouco aos solavancos mas nada de grave. Visualmente os modelos cumprem o seu papel, variando necessariamente conforme a sua versão e os seus tipos de motores mas não enchendo os olhos. Graham Waterfield concebeu modelos realistas e limpos (talvez até demasiado limpos) utilizando as potencialidades do simulador mas não indo até ao detalhe. Contudo, um belo pequeno detalhe é o patim no trem central dos Airbus 340. As texturas dos mesmos também não são o forte deste pacote, como se pode observar pela comparação entre o verdadeiro CS-TOD e o virtual (cuja livery pode ser adquirida na PSS), algumas secções da fuselagem parecem desajustadas (o tamanho das letras está exagerado, parecendo que se limitaram a abrir o editor de texto e escrever "Air Portugal" na fuselagem) ou mal dimensionadas embora se possa dizer que no geral cumprem esperando-se que o pacote para pintura de novas texturas seja disponibilizado e alguém tenha a bondade de fazer umas texturas à maneira (André Silva, estás a ler isto?). Quanto às texturas nocturnas e à iluminação do avião a impressão é positiva , estando as luzes colocadas nos sítios certos embora a intensidade das landing lights continue a ser um pouco exagerada.
Das novidades introduzidas pela PSS nestes modelos destacam-se os vórtices nas wing-tips a elevada humidade (efeito que já existe no FS2004 mas agora também no FS2002 graças à PSS) o que dá sempre um belo efeito; os beacons aparecem agora sincronizados e salienta-se ainda a existência de múltiplos splash strobes típicos da Airbus ( e que a PSS afirma veemente que não se tratam de efeitos do Flight Simulator). Tudo pontos a favor deste pacote. O Virtual Cockpit... Com o lançamento do FS2002, surgiram verdadeiros cockpits virtuais em 3D que na sua versão FS2004 se tornam clicáveis. Como bom add-on comercial que é, o PSS A330/340 inclui virtual cockpits totalmente clicláveis na versão FS2004. Esta é capaz de ser a melhor surpresa deste pacote. Os Virtual cockpits apresentam-se muito bem, com as gauges funcionais e clickáveis, incluindo o FMGS o que dá muito jeito a quem gosta de voar desta forma, porém os spoilers, os flaps e os throttles não são clicáveis apesar de se moverem quando pressionados no teclado ou joystick. As texturas são adequadas a este tipo de vista com a iluminação nocturna bastante boa. Contudo, para voar neste tipo de vista é necessário ter "bons dedos" para andar sempre às voltas com o hud do joystick quer indo ao overhead panel ou ao Fmgs o que, para quem não possui uma boa máquina se torna cansativo e desesperante dada a redução das frame/rates, podendo a redução do zoom ser uma alternativa para chegar a todo o lado mas reduzindo igualmente a qualidade de todo o VC. Note-se que, no caso do Airbus340, a vista a partir do Virtual Cockpit, encontra-se colocada atrás da cadeira do comandante, bug já reportado à PSS e que uma rápida consulta no fórum da mesma, será resolvido prontamente com o primeiro patch
O painel... Vamos agora ao que interessa, o habitual ponto forte dos pacotes da PSS: o painel. Se comprou o pacote A319/320/321, pouco ou nada vai estranhar quando lhe aparecer o grande painel IFR que a PSS disponibiliza como a vista default. Grande porque esta foi a forma da PSS encaixar todos os sistemas da aeronave, aparecendo do lado do comandante os habituais 4 ecrãs CRT,o FCU e outros instrumentos básicos, sendo facilmente abertos através de combinações de teclas, o overhead, o pedestal e o MCDU. Como acontecia na versão da família A320, o painel VFR está igualmente disponível desta vez pelo shortcut shift-3. No seu conjunto, o painel apresenta-se limpo e eficaz tal como o real. A iluminação nocturna é boa, existindo agora um botão no overhead que permite ligar ou desligar a iluminação do painel. Todos os 4 displays do EFIS podem ser expandidos bastando para tal clicar nos mesmos, uma situação prevista pela PSS e muito útil porque pode-se tornar um pouco difícil ler os mesmos dada a sua pequena resolução de forma a que se encaixassem todos no painel. Além disto, possuem a opção "undock" o que permite colocá-los em qualquer sítio do desktop ou num segundo monitor!
O pedestal , em todas as aeronaves, apresenta-se como uma cópia fiel do verdadeiro Airbus. Assim, existem cinco "detents" no thrust control: o MREV, o IDLE, o CL, o FLX/MCT e o TO-GA. Estas são posições fixas de potência dos motores, facilmente seleccionadas utilizando as teclas + e - do NumPad. Desta forma, durante a descolagem deve ser utilizado o TO-GA ou o FLEX, sendo reduzido para CL na fase da subida. O thrust pode logicamente ser controlado automaticamente pelo AutoThrust, seleccionando-se no FCU. A detent que está a ser utilizada pode ser consultada ou no próprio pedestal, ou no Flight Mode Annunciator no canto superior esquerdo do Primary flight display(PFD) ou no Ecam warning display, o que contribui de uma forma muito realista para a simulação. Ao contrário do que acontece na maioria das aeronaves, os A330 e os A340 possuem side-sticks em vez de manches, com a PSS a tentar simular o sistema fly-by-wire. Desta forma, e com o joystick centrado, a aeronave não deixa o piloto exceder os limites de bank e vertical speed através de um sistema de auto-trimming, embora tal possa ser contornado se literalmente andarmos com o joystick "à bruta". Voltando às gauges, o PFD apresenta-se extremamente realista, disponibilizando informação sobre a airspeed, o heading e o track, a altitude radio e barométrica, a vertical speed, os desvios vertical e lateral e ainda os comandos de atitude e o flight mode annunciator. Existe ainda, a possibilidade de nos guiarmos no modo do Flight Director (FD) quer pela opção de HDG/V-S quer pela TRK-FPA (nice hem?). Por sua vez, o Navigation Display(ND), não fica atrás do PFD e apresenta 5 modos diferentes de operação: o ROSE ILS, o ROSE VOR, o ROSE NAV, o ARC e o PLAN, sendo facilmente escolhidos através do knob no EFIS control Panel, existindo ainda outro botão que permite regular o alcance do ND em milhas náuticas e um cronómetro. A informação disponibilizada pelo ND é clara e completa, não só em aproximações ILS ou VOR, mas também na visualização do plano de voo introduzido no MCDU, com respectiva sinalética para o Top of climb e descent ou speed change. Por fim, existe ainda a possibilidade de o ND disponibilizar um moving map com os waypoints, aeroportos e ajudas-rádio, bastando para tal seleccionar o que se pretende num botão no painel EFIS e ainda a existência de um TCAS no modo ROSE NAV e ARC.
Noutro CRT podemos encontrar o Warning/Engine Display que é um dos dois displays do ECAM (este é o superior do lado direito do painel). Aqui a PSS consegue mais uns pontos, senão veja-se: cada aeronave equipada com diferentes motores têm indicações no E/WD diferentes. Assim, os motores GE têm como parâmetro de controlo principal o N1, enquanto que os motores da Pratt&Whitney ou da Rolls Royce usam EPR...Um pequeno mas delicioso pormenor. São ainda mostrados todos os outros parâmetros que se encontraria a bordo destas aeronaves, como por exemplo, o fuel flow, o limite de Thrust e a gasolina a bordo. É também neste CRT que são disponibilizadas diversas mensagens memo, checklists de descolagem e aterragem e mensagens de aviso e perigo, todas elas simulando muito bem a realidade, com as cores certas (azul para os itens incompletos, verde para os itens completos, amber para as mensagens de aviso). Por fim, o último CRT reserva-nos o "System Display". O segundo display do ECAM, possui várias páginas dedicadas aos diferentes sistemas da aeronave: o sistema de ar bleed; a pressurização; hidráulicos, motores, APU, portas/oxigénio, trem, gasolina, flight controls e a página de display cruzeiro. O SD disponibiliza automaticamente as páginas específicas para cada fase do voo, permitindo uma permanente interacção do piloto e as suas acções com os sistemas de bordo. Por exemplo, se formos ao overhead panel, na secção do ar condicionado, e incrementarmos a temperatura na aft cabin, seleccionando a page Cond no ECAM, podemos verificar numa primeira fase que a temperatura da zona duct aumenta para a pretendida e após alguns momentos a temperatura da aft cabin também aumenta.
A simulação do ECAM é mesmo muito boa, acusando todas as acções do piloto nos sistemas, com pormenores tais como a velocidade da RAT nos hidráulicos. Continuando o nosso passeio pelo cockpit deparamo-nos no glareshield com o Flight Control Unit(FCU) que controla os modos de operação do sistema do autopiloto. Toda a informação do plano de voo, da performance e outra é introduzida pelo Multi-Purpose Control and Display (MCDU, analisado mais abaixo nesta review). O FCU é operado da mesma forma como o real. Todos os botões podem ser rodados, empurrados ou puxados. Assim, se um botão é puxado, o piloto toma conta directamente do controlo deste comando (na lógica do "I have controls"), caso empurre o botão, o FMS toma o controlo desse mesmo comando ("You have controls"). Simples, eficaz e realista! Como não poderia deixar de ser, existe igualmente um sistema de autothrust que regula os motores tendo em conta os dados verticais e da velocidade-alvo. Note-se que, para ajudar a recuperação de uma fraca velocidade ou de um ângulo de ataque demasiado elevado, o modo Alpha Floor está disponível, sendo activado automaticamente abaixo determinada airspeed e se acima a 100', "engatando" o TOGA...Mais uns pontos para o realismo e outros tantos para a PSS. Outra particularidade da Airbus e destes pacotes da PSS é o botão de EXP (Expedite Climb ou Descent). Estes modos utilizam o controlo do pitch para velocidades similares ao OPeration Climb e DEScent, embora seja regulados manualmente. Ainda falando do auto-piloto, não poderiamos deixar de mencionar os modos LOC e G/S para as aproximações ILS. Dos testes que efectuamos, funcionaram sem problemas e cumpriram o seu papel mesmo com ventos cruzados e fortes rajadas. Quanto a este capítulo, note-se a existência do autoland, iniciada quando o LOC e o G/S estão activos a cerca de 400 pés da pista, bloqueando-os até ao touchdown ou go-around ou desligar do auto-piloto, transformando-se para o modo FLARE (que reduz a vertical speed antes do touchdown) a 40-50 pés da pista sendo muito estável. Útil não acham? (Sim, é mesmo um "avião dos meninos") Terminando esta análise superficial do painel, vamos observar o Overhead... Este, não traz muitas novidades em relação à versão do PSS 320, destacando-se a inclusão de um botão para a "interior light" e a possibilidade de agora os botões do limpa pára-brisas, que antes também eram clicáveis, produzirem efeitos, notando-se na vista principal os wipers a irem de um lado para o outro (estando duas velocidades disponíveis), embora não tenha grande utilidade a não ser a redução das frame/rates...felizmente que se podem desligar, pois passado algum tempo tornam-se...insuportáveis para voar em VFR.
De resto, trata-se de uma mera adaptação do painel do A320 aos A330 e A340, com os sistemas principais funcionais em permanente relação com o ECAM e os demais sistemas da aeronave... A título de exemplo, os motores não irão pegar a menos que o avião tenha combustível, electrical power e ar bleed, estes últimos dois providenciados pelo APU ou ligando-se a uma unidade de power externa (aqui, é necessário que o switch do X BLEED no AIR COND esteja na posição OPEN), o que torna a simulação bem realista. Não esquecer a inclusão do GPWS (Ground proximity warning system) para os mais distraídos e não só e que pode produzir diversos avisos como "Sinkrate", "Pull up", "Terrain terrain", "Don't sink" ou "Too low, gear" entre outros... O MCDU... O motivo pelo qual a maioria das pessoas adquiriu o pacote da PSS A320 e provavelmente este também, é devido ao seu fantástico MCDU. Embora não traga nenhuma inovação (para quando o botão do Sec F-Plan a funcionar?) continua a ser o verdadeiro ex-líbris do pacote. Realista, eficaz e intuitivo qualquer "menino" ficará deliciado com esta pequena maravilha. Para a boa operação do voo é necessário que se domine e introduza os valores correctos, nomeadamente o ZFW. Ao introduzirmos o Block, é-nos apresentado automaticamente o Take-off weight e o Landing weight, assim como o combustível extra e o tempo disponível. O MCDU aceita entradas do Cost index, Cruise FL, ZFW, Block Fuel, Temperatura Assumida, etc. Desta forma, o FMS programa automaticamente os limites de thrust dos motores, as velocidades económicas para todas as fases do voo, os limites do envelope de voo e outros parâmetros requeridos para o voo com autopiloto.
Novamente, as cores correspondem à realidade com o branco a indicar os títulos, mensagens, informação sobre o "TO"(waypoint); o azul os campos que podem ser modificados pelo piloto; amber para os campos de preenchimento obrigatório e acções que requerem confirmação do piloto; verde para os campos de informação que não podem ser modificados pelo piloto e amarelo para a rota provisória... A performance... Agora que já analisamos grande parte do pacote vamos ver como se comportam as aeronaves em voo. A primeira impressão é positiva, os limites impostos pelo envelope de voo são respeitados. É possível taxiar com o thrust em IDLE, as velocidades V1, V2, VR, etc...são as correctas (embora uma voz experiente neste tipo de aeronave mencione que a Lift-off speed seja uns 15kts mais rápida) mediante os pesos e nota-se ao manobrar as aeronaves manualmente que estas são uns verdadeiros "passarões" mas, e pela primeira vez num add-on Airbus, as superfícies são verdadeiramente sensíveis ao toque, já não tendo o utilizador que ser um Hércules para que o rudder do avião realmente funcione eficazmente. Porém, se tudo parece normal e correcto com os modelos do Airbus 330, já no 340 as coisas não se processam da mesma maneira... Ao descolar, mesmo em FLEX, a aeronave rapidamente atinge a VR e sai disparada que nem um foguete, já com o thrust na detent CL como deve estar, atigindo vertical speeds alucinantes (alguns users falaram mesmo em 8000ft/min). Last but not least... Por fim, mencionem-se os vários packs de som (8 Megas cada) para os diferentes tipos de motores. Após uma breve análise conclui-se que dentro do cockpit não se nota quaisquer diferenças, contudo, a situação muda de figura "cá fora" sendo então possível distinguir quando estamos em presença de motores CFM, GE, RR ou P&W. Última nota para os que se questionam sobre as frame/rates... Pois é, parece que este pacote come-as bem. Da minha experiência, reparei que perdeu cerca de 10 frames no FS2004 e 7 no FS2002 (estranho...não deveria ser ao contrário?) com a qualidade ao máximo. Mesmo assim, nada de muito preocupante para quem possui boas máquinas. Conclusão: Com um lançamento atribulado sem que tenham efectuado todos os testes aos possiveis erros existentes, o A330/340 saiu para o mercado com graves problemas aos mais variados niveis. Não é necessário ser um expert para nos apercebermos que algo está mal. Conhecendo a PSS há alguns anos estamos convictos que todos os problemas reportados no forum oficial serão resolvidos com brevidade. O AirSim dá uma nota negativa à PSS pela precipitação no lançamento deste produto sem que tenha resolvido os problemas graves que o afectam. O PSS A330/340 é muito bom pacote para os entusiastas da Airbus e um bom pacote para quem não o seja. Embora tratando-se mais de uma simples adaptação da versão 320 aos 330 e 340, com poucas novidades e não sendo de "encher o olho" visualmente, o preço não é muito exigente para quem quer uma boa dose de realismo fly-by-wire. Em 5, leva uns agradáveis 4... Para o AirSim.net, Miguel Campos ao vivo do PSS Airbus 340-300!
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