Microsoft Flight – o enigma Cloud

O Flight é, segundo a Microsoft, um desenvolvimento baseado na tecnologia Cloud. Assim anunciou o gigante informático norte-americano. Este parece o caminho que a Microsoft está a tomar em relação à simulação aérea. O que se segue? Estará o Flight apenas disponível para a X-Box? De momento apenas temos um pequeno video de 15 segundos supostamente com a voz de Patty Wagastaff que com uma voz ofegante anuncia “Eu sonhei que podia voar” com umas imagens muito apelativas mas com muito pouca substância. Será que esta nova estratégia serve para mandar uma mensagem arrepiante aos produtores independentes? É possível!Depende se a Microsoft irá permitir adicionar o trabalho dos criadores de add-ons ao seu produto online. A história não abona a favor da empresa de Seattle. No website da Game Studios podemos ler que “… O Microsoft Flight trará uma nova perspectiva ao seu produto de longa data, abrangendo todos os entusiastas, inclusive os adeptos mais veteranos, para experimentar a magia do voo.” Assim, caros companheiros, somos considerados veteranos pela Microsoft. Pode ler-se ainda que ” Marca o regresso aos jogos em PC”. Simulação está fora, o que está a dar é o jogo, dizemos nós!

A Microsoft lançou um novo serviço ao qual dá o nome de “Live Mesh” que permite ao utilizador ligar o seu computador pessoal, do trabalho, de casa, no portátil em qualquer parte do globo e aceder ao seu desktop virtual través de um “qualquer” browser. Ou seja, você sincroniza o seu desktop com o Mesh e poderá aceder ao seus dados e programas em qualquer ponto de acesso à net. Mais parece uma ferramenta de controlo de software. Provavelmente seremos convidados a pagar uma licença de utilização do serviço, incluindo qualquer software que irá necessitar, por exemplo, o Office, etc. Em teoria a Microsoft irá controlar todo o seu software sem o eterno problema da pirataria e você apenas terá a máquina para “ler” o conteúdo. Será um grande passo do gigante de Seattle. Teremos de aguardar para ver se resulta.

Segundo a Microsoft as grandes vantagens do sistema Cloud, são:

– O custo. Poderá escolher-se entre uma assinatura ou em alguns casos o “pay as you go”, ou seja pagar apenas pela utilização de serviços ou software à medida das necessidades do utilizador.
– Flexibilidade. Apenas adquire o serviço à medida das suas necessidades sem desperdício de meios e recursos.
– Acessibilidade. Disponibilize serviços online sem comprometer a segurança dos dados.

Estes pontos são importantes, dão-nos uma ideia de como será o novo simulador de voo nos próximos anos. Em primeiro lugar, pensamos que não irá ficar mais barato adquirir uma assinatura do que comprar o software em DVD. Pagar para utilizar, seja através de uma assinatura mensal ou anual onde se incluirão actualizações regulares. Vale a pena conhecer a plataforma Azure, também da Microsoft, para se ficar com uma ideia dos custos de utilização de um serviço semelhante. Não é barato! São disponibilizados 3 opções de utilização e nenhuma delas parece económica.

No caso do Flight, como será a integração de add-ons? Serão adicionados como módulos licenciados que o utilizador terá de subscrever, e como será com os populares freeware? Teremos algum menu onde poderemos adicionar o trabalho dos entusiastas que fazem questão de oferecer o seu trabalho gratuitamente? Como será a integração dos dispendiosos add-ons que possuímos para o FSX, será possível? São tudo perguntas que neste momento ficam no ar e que não  auguram bons ventos no que toca aos custos da simulação aérea através da Microsoft.

Qual será o futuro dos processadores, memórias, placas gráficas, etc? Será que passará a ser mais importante possuir uma ligação à internet mais rápida? Supomos que uma vantagem será a possibilidade de voar no telemóvel ( muito interessante!?), ou no famoso I ‘ Qualquer Coisa!
E se o número de utilizadores online em simultâneo for tão elevado (temos dúvidas)  que os servidores não conseguem processar tanta informação? Voltaremos ao tempo dos voos frame a frame.

O slogan mais recente da Microsoft é ” The Cloud – we´re all in” que é como que diz, estamos todos dentro da nuvem! Aguardam-se tempos nebulosos  e como alguém um dia disse  que “não devemos ter medo do futuro”, concordamos. Não devemos ter medo, devemos ficar apavorados com o futuro da aviação virtual através da Microsoft. Por outro lado poderá elevar a qualidade da experiência de voo em rede e interagir com o mundo da aviação real.

Este pequeno desabafo baseia-se apenas nos nossos conhecimentos dos métodos de trabalho da Microsoft. Baseados nisso não duvidamos que o Flight será mais um produto que tira partido das novas ferramentas e que quem ficará a perder será o entusiasta aficionado, os veteranos. Aguardemos então por mais novidades sobre o Flight (simulator) da Microsoft.

Adaptado do artigo de Peter Hayes

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11 anos atrás

se considerarmos que na aviação real as nuvens são
de evitar, a ideia da Microsoft de andarmos
todos na nuvem deles não me parece muito boa
para a aviação virtual. Resta esperar, mas
olhando para o que a MS diz e faz na área
de jogos (e como “matou” o FS) não é de ter
grande esperança…